Carta aberta para minha amiga em plena pandemia

Agosto de 2020 e tá todo mundo cansado.

Hoje é domingo, 16 de Agosto e eu acordei com dor de cabeça, tá chovendo lá fora e eu só sai da cama porque queria muito falar com você.

Queria começar essa carta dizendo o quanto eu sinto sua falta, mas acho que todas as últimas vezes que nos falamos eu disse isso, não é?

Droga, esse é sempre o começo das minhas mensagens.

Mensagens essas que ao invés de horas perto falando sobre a vida, bebendo alguma coisa e compartilhando histórias, agora na pandemia são resumidas em um “oi eu te amo, que saudades, não vejo a hora disso passar pra gente se ver”.

Acho que todas as vezes que falamos começa por aí, e depois se repete num ciclo sem fim.

Não acho que a gente se ama menos agora por estarmos mais longe, só acho que tá todo mundo tão cansado e lutando pra ficar bem a cada dia com suas lutas e batalhas internas.

E também não é como se eu não quisesse compartilhar, é só que tem sido estranho fazer isso ultimamente porque são sempre as mesmas coisas: trabalho, casa, pandemia, etc.

Enquanto escrevo essa carta pra você estou ouvindo Flogging Molly pra variar, a música: If I ever leave this world alive. Então sinta-se à vontade pra escutar ela junto comigo e imaginar a gente num café, ou andando na rua, num parque, ou até mesmo andando de bicicleta sentindo o vento batendo no rosto sem tempo pra pensar em mais nada.

Acho que quando penso sobre tudo essa música me ajuda demais, e gera algo bom aqui dentro mesmo em meio ao caos externo e a ausência que você deixa aqui.

No fundo mesmo a gente tem esperança de um amanhã melhor, seja esperando a vacina, ou que tudo isso vai acabar e voltar a ser como era antes, mas não sei como vai ser o futuro, de uma coisa eu tenho certeza: sempre estarei aqui pra você.

Eu sei, eu sei, sou péssima respondendo mensagens virtuais, cansei do WhatsApp, as vezes até vejo as coisas ali e vou deixando pra depois. No Instagram também não respondo sempre. Mas juro que na minha cabeça eu te respondo e que eu te amo.

E eu sei que isso é recíproco também, sei que se eu te ligar agora você vai atender e se eu pedir socorro você vai estar aqui nem que seja do outro lado da linha me ouvindo chorar.

Sei que mesmo longe a gente tem essa conexão e o amor não acabou.

Se você me conhece bem, sabe que a essa altura eu tô chorando enquanto escrevo e tô lembrando da última vez que a gente se viu e do seu sorriso, dos nossos momentos bobos e bons juntos.

Eu te amo, tá bom?

E vai ficar tudo bem…

Mesmo que a gente se sinta sozinha de vez em quando, ou cansada em meio ao caos, a verdade é que a gente vai continuar levando e vivendo a cada dia. A vida é assim, antes, durante e depois da pandemia também será.

Só tá todo mundo tentando sobreviver com uma carga maior agora, que vai passar e quando a gente se abraçar a sensação que vai me dar é que pronto, acabou. E que bom que vamos estar lá pra ver e falar sobre o pós da pandemia também.

E vamos passar por mais algo juntas, juntas sim porque mesmo de longe a gente sabe o que sente e o quanto isso é verdadeiro mesmo em meio a distância e demoradas trocas de mensagens.

Só escrevi isso pra te lembrar que eu sei que parece que as vezes a gente se sente sozinha, e tudo bem sentir isso, mas nunca esqueça que eu sempre estarei aqui do outro lado da tela, tá bom?

Eu te amo e obrigada por fazer parte dos meus dias, obrigada por me dar a certeza de um colo e um abrigo mesmo que online para os dias cruéis e por se alegrar pelas minhas conquistas. Eu te prometo que sempre estarei aqui quando as coisas ficarem estranhas, ok?

Eu te acompanho daqui também e não importa onde eu estiver, você será sempre mais que uma memória, estará sempre no meu coração.

Te amo e tô com saudades, nos vemos quando isso passar…

Com amor,
de alguém que sente sua falta.

PS: Mande esse texto pra suas outras amigas também, um pouco de afeto e amor sempre faz bem! 💛

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